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O novo J12 Superleggera e a história automotiva por trás do nome mais inesperado da relojoaria

11/09/2026
Foto: Reprodução/Chanel

No Watches and Wonders Geneva 2026, entre 14 e 20 de abril, a Chanel apresentou uma nova versão do J12 Superleggera, peça que carrega um nome emprestado do mundo automotivo há mais de duas décadas. Poucos relógios no mercado sustentam uma referência tão direta a uma técnica de construção de carros de corrida do século passado.

1926: uma carroceria em Milão

Carrozzeria Touring nasceu em Milão em 1926, quando o advogado e ex-piloto de testes Felice Bianchi Anderloni, ao lado do sócio Gaetano Ponzoni, assumiu o controle da falida Carrozzeria Falco. Dali surgiria uma das oficinas de carroceria mais influentes da história do automobilismo, responsável por vestir chassis da Alfa Romeo, da Aston Martin e da Ferrari com algumas das formas mais reconhecíveis do design italiano.

Em 1936, Bianchi Anderloni patenteou o sistema Superleggera, uma técnica de construção que usava painéis de alumínio sobre uma estrutura de tubos de aço, reduzindo drasticamente o peso da carroceria sem comprometer a resistência. O método rendeu à Touring encomendas de marcas como Alfa Romeo, BMW e, mais tarde, Aston Martin, que usou a técnica para construir o DB4 e o DB5, este último eternizado como o carro de James Bond em Goldfinger, de 1964.

2000: um relógio nomeado a partir de veleiros

A Chanel entrou nesse universo de forma indireta. Em 2000, o diretor artístico Jacques Helleu apresentou o J12, um relógio feito inteiramente em cerâmica preta, material até então pouco explorado na relojoaria. O nome não vinha de carros, mas de veleiros: os J Class, embarcações de competição dos anos 1930 associadas à America's Cup, das quais Helleu, velejador nas horas vagas, era admirador.

O J12 rompeu com as convenções da época ao ser projetado como peça unissex, tão técnico quanto qualquer relógio esportivo masculino e, ao mesmo tempo, elegante o suficiente para o universo da alta-costura. A versão branca, lançada em 2003, ampliou ainda mais o alcance do modelo.

2005: o nome que veio das pistas

Foi em 2005 que a Chanel emprestou pela primeira vez o termo Superleggera para uma variação do J12. A peça, um cronógrafo de 41 mm em cerâmica e alumínio, buscava uma linguagem visual mais técnica e esportiva, inspirada tanto pela estética de cronógrafos automotivos quanto pela memória pessoal de Helleu com os supercarros de sua infância, entre os quais o termo 'superleggera' designava as versões mais leves e mais rápidas de um mesmo modelo.

A escolha do nome não foi um acaso de marketing. Era uma referência direta ao legado da Carrozzeria Touring e ao princípio que guiava a técnica original: retirar peso sem perder robustez.

O que mudou na versão de 2026

No Watches and Wonders Geneva 2026, a Chanel apresentou uma nova geração do J12 Superleggera, desta vez sem o cronógrafo da versão original e sem o alumínio que caracterizava o modelo de 2005. O novo relógio, de 42 mm, é construído em cerâmica preta fosca e aço, movido pelo calibre automático 12.1, produzido pela Kenissi, manufatura suíça da qual a Chanel é sócia.

 

Segundo Arnaud Chastaingt, diretor do estúdio de criação relojoeira da Chanel, a nova peça não repete a fórmula técnica do original, mas preserva as semelhanças estéticas que fazem dela, em espírito, um Superleggera legítimo. O bisel unidirecional em aço, a seta vermelha que marca a data às 4 horas e o bracelete em cerâmica fosca completam um desenho que ainda carrega, quase duas décadas depois, o nome de uma técnica de carroceria italiana criada para carros de corrida.

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